01/07/2009
Noções Urbanas em papel e tinta!
Em formato A6, (o mesmo da extinta revista independente Mosh!), impresso em cores na insuperável Deskjet 710C, e encadernação modestíssima, a publicação é mais uma experiência desses cientistas malucos que vos escreve.
Inicialmente, a distribuição será apenas na FLIP 2009 (Feira Literária Internacional de Paraty). Por conta própria! (Quem sabe ano que vem não me chamam para a Off-Flip? - aí terei justificativa para faltar o trabalho mais uma vez!)
Estão nos planos transformar a edição impressa em um pdf. E também de fazer outra edição de papel! Veremos o que sai de todo esse som e fúria.
Fiquem com a capa da edição (ainda não finalizada), na qual podem perceber uma estranha, vermelha e bucólica foto que tirei ano passado em Paraty abaixo da foto do topo do blog.
É isso. Agradeço a todos que nos leem. Voltem logo!
Nos vemos em Paraty ;)
14/05/2009
Fantasma da Ópera
Abaixo, a cidade dorme e desperta, suja de meninos de rua com narinas nuas, tomada por foliões trôpegos e bêbados da melancolia de uma quarta-feira de cinzas que espera pelo carnaval do ano seguinte.
Em meio a nada disso, radinhos de pilha dos camelôs sobreviventes a césares e a choques de ordem arranham notas musicais distantes, e sua coreografia emula o significado da pátria que uma voz transformou em patropi.
Simonal, o pai, o cantor, descansa sob o concreto e bronze da estátua em sua homenagem, talvez em Copacabana. O metal, enferrujado, o concreto, descascado, a fuligem a escurecer-lhe a última pele que restou, e o som calado, abafado nas milhares de mentes que assoviam em sonhos suas famosas canções que jamais existiram.
A Cinelândia, marginal, herói, resiste num Odeon pós-hype. E na madrugada, o aplauso engolido, suspenso e engarrafado é devolvido, desentalado, defraldado, e encontra eco no som de uma voz flicts, fantasma de uma história de fantasmas. Na tela, novamente sua vez: ‘ Simonal – Ninguém sabe o duro que dei ’.
31/03/2009
Quem 'assiste' Watchmen?
Alan Moore arquitetou, nos roteiros de Watchmen, as características que ao longo dos anos seu público considerou como inadaptáveis para o cinema.A extrema complexidade das relações entre os personagens, às vezes traduzidas apenas no gestual, as sutilezas das transformações sócio-culturais resultantes da existência de um ser super-poderoso entre os homens, a noção de tempo do Dr. Manhattan, a profundidade dos personagens, amparados em textos de apoio à Hq, refletindo publicações existentes no contexto da trama, dentre diversos outros aspectos que exigem mais de uma leitura, e que se apresentam plenos no formato de história em quadrinhos.
O que dizer então da adaptação para as telas da HQ, a qual Alan Moore, radicalmente contra, exigiu que não tivesse seu nome inserido dentre os créditos?
Eu, por exemplo, posso dizer que é: 1) Uma grande homenagem a Alan Moore; 2) Veículo para debate de algumas questões polêmicas, controvertidas e multifacetadas do quadrinho, de modo a reacendê-lo para as novas gerações; 3) Poderoso artigo de divulgação do quadrinho, de modo que, como uma revista em movimento, e valendo-se do estilo do cineasta, incentiva o espectador a conhecer a obra.
05/03/2009
Moça
Desconfio que não sou o único a ter uma relação de carinho e nostalgia pelos papeizinhos de "Dinheiro já", "Compro ouro"e "Joga-se búzios", dentre outros menos cotados.
O papel de baixa gramatura e qualidade, as cores fortes e borradas, ou mesmo o impacto das letras grandes e objetivas quando em preto e branco... É o que me fascina nestas pequenas gravuras que cabem na palma da mão.
Um folheto em especial me chamou a atenção. Mas não pela beleza vinda do excesso (quase barroco), e sim pela palavrinha que você vê logo no topo da foto que ilustra esse post:
“MOÇA”
Longe de mim ser entusiasta do militarismo, mas quem não se lembra que há pouco só havia em anúncios como esses algo do tipo: "Jovem - Você que completará 18 anos..." ?
Embora ainda não estejamos num cenário ideal de igualdade entre os sexos, é importante e gostoso de ver que hoje uma mocinha pode muito bem servir num ambiente ainda predominantemente masculino se lhe der na telha.
Que o dia 8 de março de 2009 seja muito feliz, não só para a MOÇA do folhetinho, mas para todas vocês ;)
12/01/2009
espontaneidade
22/12/2008
De Volta Para o Futuro
26/11/2008
A pausa que refresca Ou ressaca continental.
É por aí.
Desocupei duas pastas estressadas de documentos de um processo judicial em que o sentimento corporativista beneficiou o lado errado. Ou não. Talvez jamais saibamos. Mas é uma memória margeada de feridas e quelóides.
Nisso, volto a tocar o álbum do Tomasz, pois a melancolia é realmente refratária nos dias de hoje: escapa como coelhos. E deve ser preservada, como vinho em tonéis de carvalho, como alaúde dos artistas e de todos que queiram dizer algo. Sim, compartilho em parte o pensamento do Arnaldo Jabor em sua coluna nO Globo de ontem.
A pasta que desocupei serviu como novo lar para receitas médicas. Numa delas, Azitron e Nisulid são receitadas para um eu caído em combate, um pré-jack Bauer funcionando 24 horas seguidas em 2003, tudo relacionado ao inominado processo, já findo, como pareço neurótico em não deixá-los esquecer.
O álbum chama-se Lontano. Assim como a música de doze minutos que aspiro como perfume enquanto digito olhando o cinza no alto de toda esta primavera.
A gripe se vai, o cansaço também, e o blues despede-se como uma velha amiga que acaba de sair da prisão, neste filme noir em preto, branco e impossível.





